terça-feira, 21 de agosto de 2012

LUCIANO SPINELLI TRAZ O METRÔ DE PARIS PARA DENTRO DA GALERIA LUNARA



A Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal da Cultura inaugura em 23 de agosto, às 19h, a exposição Metrô de Paris, de Luciano Spinelli, que ocupará a Galeria Lunara até o dia 23 de setembro. Na abertura da exposição, o DJ francês

Dunwich estará presente, junto com o artista, fazendo um set live no qual mixa os sons do metrô parisiense produzindo uma atmosfera sonora que é característica do local retratado.

Na exposição, Luciano apresenta um novo olhar sobre o Metrô de Paris, um complexo que possui 16 linhas que se estendem por 214 quilômetros e transporta 3,9 milhões de pessoas por dia, ocupando o quarto lugar no mundo em volume de passageiros e o terceiro em número de estações.


Metrô de Paris intui uma reconstituição sinestésica do imaginário subterrâneo de um condutor e de um passageiro do metrô parisiense. Para isso, o artista associa fotografia, áudio e vídeo dentro do espaço preto, quadrado e íngreme que é a Galeria Lunara. A exposição é composta de impressões fotográficas em preto e branco apresentadas horizontalmente, duas a duas, como um díptico informal de um vídeo filmado desde a cabine docondutor, mostrando as entradas e saídas do túnel da linha 6 do metrô parisiense e de uma ambientação sonora criada pelo DJ Dunwich.

Luciano Spinelli é fotógrafo e videomaker, vivendo entre Paris e São Paulo. PhD em Comunicação Visual (Universitat Pompeu Fabra, Barcelona) e Sociologia (Université Paris Descartes Sorbonne). Seu trabalho focaliza a vida urbana, a foto-etnografia e o imaginário da sociedade pós-moderna. O presente projeto foi desenvolvido durante sua pesquisa de doutorado. Suas fotografias podem ser vistas no site: www.lucianospinelli.com.

Conforme o artista "Nas fotografias, adentramos um nível intersticial do organismo urbano: o metrô. Um estágio mecânico da vida em sociedade que é sonorizado pela fricção do metal contra metal. Descrito por Marc Augé como “a coletividade sem a festa e a solidão sem o isolamento”, no metrô estamos mais próximos de nossa natureza predadora. Nessa parte da cidade fadada à escuridão, observa-se uma verdadeira ecologia urbana guiada por uma sinalética que se repete internacionalmente. As inscrições que ali repousam, o cheiro dos trens, os anúncios entoados pelos autofalantes, ajudam a conformar um imaginário subterrâneo no indivíduo que passa a catraca e se torna passageiro. Captando signos verbais e não verbais, fotografias, vídeo e som representam fragmentos da estética polifônica do metropolitano.


A forma e a atmosfera da galeria é de fundamental importância para o desenvolvimento sinestésico dessa exposição. Chega-se de elevador e, assim como se estivesse entrando em um metrô, depara-se com um espaço escuro e claustrofóbico. Com luzes direcionais que iluminam as fotografias na parede, o visitante percorre o espaço por uma passarela com chão gradeado e metálico. Ele vê, projetado no fundo da tremonha, um vídeo do ponto de vista do condutor do metrô parisiense. Ouve os barulhos do trem, as vozes dos avisos dados aos passageiros, o zumbido de fechamento das portas e outros sons típicos daquele espaço, ritmados ao vídeo e remixados pelo DJ francês Dunwich (http://soundcloud.com/djdunwich)".

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Fernando Schmitt escreveu o texto abaixo sobre a exposição:

Entre um ponto e outro no mapa há um túnel sem paisagem onde os expressos subterrâneos penetram a escuridão e aceleram o trajeto em detrimento da vista. Ali os caminhos são limitados por ferro e poucos são os iniciados nos segredos das bifurcações. Sobre as janelas desnecessárias, fantasmas postam mensagens em tipografias indecifráveis; desejo de provar por imagem um existir periférico.

Abaixo da terra, após vencer as catracas, o passageiro torna-se parte de um coletivo contingente e efêmero composto de pequenas solidões. Cumpre o itinerário solavanco, mergulho, mantra urbano entoado no autofalante, trepidação, claustrofobia, discurso monocórdio de lamentação e súplica, baldeação, vaivém, arribação e tudo de novo. Confia na possibilidade de emergir, de cruzar o umbral da estação ainda crente da existência do mundo, cidade e luz.

Etnógrafo em campo fértil, Luciano espia e observa o tempo suspenso da meditação involuntária. Deriva em um espaço ocupado por deslocamentos e transeuntes. Testemunha o cruzamento de olhares, o enlace superficial das existências, os vultos céleres no embarcadouro. Tece uma arqueologia dos assentos e dos pisos. Maneja um aparelho que permite levar-se por dúvidas e que obedece a uma intuição vagabunda.


Fernando Schmitt, professor, fotógrafo e pedestre quase sempre.


Metrô de Paris

Luciano Spinelli

Galeria Lunara

Abertura 23 de agosto de 2012, às 19h

com a presença do artista e do DJ francês Dunwich

Visitação de terças a domingos, até dia 23 de setembro

galerialunara@gmail.com

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