segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Thomas Demand segue até dia 17 de janeiro na Galeria Lunara

Na Galeria Lunara, até 17 de janeiro de 2010, Demand apresenta a série inédita The Dailies, que apresenta características bastante distintas do conjunto comumente conhecido de sua obra. Além das imagens serem apresentadas em formato menor que de costume, mesmo porque reproduzem cenas cotidianas ou rotineiras, elas permitem uma maior empatia com o público e funcionam como blagues, flashes prosaicos do dia-a-dia.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Conversa com Thomas Demand dia 14, às 15 h - na Av. Independencia , 745

O artista Thomas Demand, que está em Porto Alegre para participar do coquetel de abertura de de sua exposição na Galeria Lunara dia 14 às 19h, participará de uma conversa aberta ao público no mesmo dia 14, às 15h, na Av. Independência, 745.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, em parceria com o Instituto Goethe, inaugura na próxima semana na Usina do Gasômetro o Projeto Berlim, que inclui uma exposição do renomado artista alemão Thomas Demand, na Galeria Lunara (com coquetel de abertura no sábado, 14 de novembro, às 19h, com a presença do artista) e uma mostra de filmes na Sala P. F. Gastal (a partir de terça-feira, dia 10 de novembro). O evento marca a passagem dos 20 anos da queda do Muro de Berlim, ocorrida em 9 de novembro de 1989, e o relevante papel desempenhado pela metrópole no cenário cultural contemporâneo.

MOSTRA DE FILMES

A mostra de filmes programada pelo Projeto Berlim apresenta uma seleção de títulos marcantes ambientados na cidade alemã, um cenário recorrente ao longo da história do cinema, desde os seus primórdios, atraindo a atenção de diretores de distintas nacionalidades. A mostra reúne 15 títulos realizados em períodos variados: de Berlim, Sinfonia de uma Metrópole (1927), a clássica obra de vanguarda dirigida por Walter Ruttmann ainda no cinema mudo, passando por produções rodadas nas suas ruínas logo após o final da Segunda Guerra Mundial ou ainda pelas visões da cidade dividida pelo muro nos anos da Guerra Fria, até chegar à década de 1990, com obras ambientadas numa Berlim já reunificada. Uma seleção que forma um painel multifacetado da metrópole mais fascinante do século XX.




THOMAS DEMAND

Um dos mais conceituados artistas contemporâneos, com passagem pelos principais museus do mundo, Thomas Demand irá exibir um conjunto de obras inéditas pela primeira vez no Brasil. Segundo o Coordenador de Cinema, Vídeo e Fotografia da SMC, Bernardo José de Souza, a
acontecimento de extraordinária importância na vida cultural da cidade, já que este alemão, residepresença de Demand em Porto Alegre é umnte em Berlim, tem sido apontado pela crítica internacional como autor de alguns dos trabalhos mais instigantes da arte contemporânea: “Sob a aparente placidez das obras de Thomas Demand percebe-se uma atmosfera de inquietação latente. Ao observador desavisado, e não familiarizado com o processo criativo do artista, resta a intuição como chave única para o ingresso nos ambientes frequentemente burocráticos e assépticos fotografados por ele. Situada em espaços intermediários, a obra de Demand logra suspender momentaneamente a realidade ao criar zonas neutras que desafiam a percepção do espectador à medida em que põem em xeque a atribuída correspondência entre a imagem fotográfica e o mundo real que ela supostamente retrata”.

Partindo de fotografias encontradas nos meios de comunicação de massa, não raro carregadas de matizes políticos (embaixadas, a Casa Branca, a cozinha clandestina de Sadham Hussein), ou de ambientes altamente familiares, de características universais (um céu estrelado, uma floresta), o artista se propõe a tarefa hercúlea de desenvolver maquetes em escala real, feitas de cartolina e papel, as quais reproduzem quase à perfeição as imagens originais. Superada esta etapa, ele retorna ao suporte fotográfico para registrar e perenizar esses espaços artificialmente construídos e só então levá-los a público em galerias e museus no formato bidimensional. Uma vez concluído o processo, via de regra os cenários são destruídos.

Na Galeria Lunara, de 14 de novembro de 2009 a 17 de janeiro de 2010, Demand irá mostrar a série inédita The Dailies, que apresenta características bastante distintas do conjunto comumente conhecido de sua obra. Além das imagens serem apresentadas em formato menor que de costume, mesmo porque reproduzem cenas cotidianas ou rotineiras, elas permitem uma maior empatia com o público e funcionam como blagues, flashes prosaicos do dia-a-dia. Ainda, segundo Bernardo José de Souza, “os espaços divisados pelo artista são literalmente naturezas mortas, cujos vestígios de vida se apresentam exclusivamente no plano metafísico”.

abaixo, entrevista concecida por Thomas Demand a Fabio Cypriano em out/2009

Leves, felizes e um pouco bobas

O artista alemão Thomas Demand escolheu Porto Alegre para apresentar sua nova série “Dailies”, um trabalho inédito e um tanto distinto de suas imagens mais conhecidas, em geral em grande escala, fotos de cenários construídos em papel que parecem reais. Pode ser a Casa Branca, na série “Presidency” (2008), uma floresta, como em “Clearing” (2003), exibida na Bienal de São Paulo, em 2004, ou simplesmente um banheiro, “Bathroom” (1997).

Como um ilusionista, Demand apresenta imagens que não parecem falsas, mas afinal numa era marcada pelo photoshop e por fotos digitais de simples manipulação, o real deixou de ser uma questão. Mesmo assim, quase arquetípicas ou mesmo ideais, essas imagens são tão corriqueiras como a própria realidade.

Um de seus trabalhos mais impressionantes foi “Grotte” (2006), a imagem de uma imensa caverna falsa, exposta na ilha de San Gorgio Maggiore, por ocasião da Bienal de Veneza, em 2007, em uma exposição individual organizada por Germano Celant, da Fundação Prada. Na exposição, via-se primeiro a imagem, em grandes dimensões (198 x 440 cm); depois uma sala repleta de cartões-postais e documentos sobre cavernas, para se chegar à última sala, a maquete de 36 toneladas que serviu de modelo para fotografia. O artista nascido em 1964, na cidade de Munique, revelou aí seu processo, mas, ao contrário de um mágico que quando revela seu truque faz com que ele não tenha mais graça, tornou aí seu trabalho ainda mais intrigante.

Atualmente, Demand apresenta uma retrospectiva de sua obra na Galeria Nacional, em Berlim, um dos mais belos prédios modernistas de Walter Gropius, onde possivelmente encerre um ciclo. Na entrevista a seguir, concedida especialmente por ocasião da mostra gaúcha, o artista diz que escolheu o Brasil, para sediar uma nova fase, que se inaugura com “Dailies”. Ele conta que buscou imagens “leves, felizes e um pouco bobas”, o que pode parecer um pouco ingênuo. Mas quando a arte nos deixa nesse estado, ela não nos torna mais humanos?

Fabio Cypriano, outubro de 2009

Suas fotos de maquetes que se parecem como se fossem lugares reais são o que melhor conhecemos. O que você fez antes, Como você começou a criá-las? Estudou fotografia?

Thomas Demand: De certa forma, sou um amador, sem nenhum tipo de treinamento em fotografia e nem me vejo como um. Estudei pintura e escultura e, por muitos anos, trabalhei apenas com coisas sem valor, papéis e objetos de vida curta a partir de materiais baratos. Eu sempre pensei que poderia fazer mais versões para estudo deles, se fosse o caso.


Em todos seus trabalhos que já vi, nunca há pessoas neles, o que nos faz focar sempre no aspecto arquitetônico de suas imagens. Esse é o centro de sua atenção? Por quê?

Demand: Eu trabalho com espaços que, espero, atraia o observador e sua imaginação. Creio que figuras humanas nesses locais iriam, basicamente, transformariam a imagem num momento anedótico.

“Presidency” deveria ser uma cópia fidedigna à Casa Branca? Ou você se preocupa em criar um mundo melhor em suas imagens?

Demand: Para mim, é mais parecido com um palco: uma caveira, um rosto enegrecido e uma fala. Todo mundo sabe que peça é essa: “Hamlet”, apesar do lugar, do tempo, do ator etc. Pense em todos os programas de TV, as caricaturas, os filmes com Harrison Ford... Todos eles são sempre sobre representação, não sobre como o lugar realmente é. Eu sei que você sabe e você sabe que nós sabemos.

Melhor lugar? Não, essa não é minha intenção. Eu não tenho uma missão, eu só faço trabalhos que desafiem minha inteligência e não me entediem. Felizmente, outros vêem isso da mesma forma e parece que eles vêem alguma coisa nesses trabalhos que não percebem em nenhum outro lugar dessa forma. Eu não tenho certeza se meu trabalho se insere na classificação “boa arte”, mas boa arte sempre me faz ver o mundo de um ângulo diferente, ou então, de repente, me tornar consciente do que vejo.

Em seus trabalhos, alguns espaços são reais, como a Casa Branca, na série “Presidency”, e outros ficcionais, certo? Você pode descrever o processo de escolha de um tema para ser transformado em imagem?

Demand: Todos eles são reais, pois eles estão à frente de minha câmera. “Presidency” foi um trabalho comissionado, mas a Sala Oval nunca teve esse aspecto. Eu misturei cinco versões diferentes em uma só: o carpete é Clinton, a cortina, do Bush pai, as coisas no armário, do Bush filho, e assim por diante. Não era para ser a imagem de um lugar exatamente como ele é, mas de um lugar que pode ser reconhecido.


Já que o mundo é tão cheio de coisas, porque criar imagens falsas com a fotografia? Você admitiria que, no final, você é mais um escultor que um fotógrafo?

Demand: Apenas para pagar imposto de renda eu tenho que declarar que tipo de artista eu sou, e eu não me preocupo em me categorizar de outra forma. A meu ver, eu crio imagens e a forma como eu as faço, espero, seja interessante. Como o pintor usa tinta a óleo e o escultor, gesso, eu utilizo papel e um aparato para fazer imagens.

As coisas se confundem também, e todas elas são temporárias, afinal. Assim, enquanto eu não produzo lixo venenoso, estou OK em trazer coisas para o mundo. O único problema é se eles atrapalham seu espaço, então você precisa dar um jeito de passar a volta deles.

Então, que tipo de artista você se declara quando paga impostos?

Demand: Escultor. É melhor para pagar impostos.

Por que mostrar a maquete de “Grotte" (Gruta), em Veneza, 2007?
Demand:
Por que não? Se o processo é bom e sólido, você pode apresentá-lo uma vez, não? Você disse que se lembra dele e eu realmente acredito que isso é o melhor que poderia ocorrer. Eu visitei o ateliê do [Francis] Bacon, uma vez, e me surpreendi muito com o quanto eu aprendi fazendo isso. Pode-se se dizer que seria muito estúpido fazer isso, mas de fato não foi. Eu fiquei também muito satisfeito com o contexto: uma ilha, um festival, não ser um museu, e contar com três elementos em uma só instalação: a documentação, a imagem e o objeto que foi fotografado.


Seu trabalho na Bienal de São Paulo, em 2004, era bastante complexo, misturando imagem e vídeo. “Forest” (floresta), a fotografia, foi inspirada no parque Ibirapuera? Como foi criar esse trabalho?

Demand: Eu queria trabalhar com arquitetura, o que é sempre uma motivação para mim. O que foram as estruturas do Niemeyer, pelas quais se observa o parque, mas que ainda são chão e teto, muito panorâmicas, o que se transforma num espetáculo. Eu pensei que poderia refletir isso nas paredes externas da construção que fizemos dentro do pavilhão. Mesmo essa estrutura que criamos parecia que fazia parte do espaço _que foi o único oferecido pelo curador, além do banheiro masculino. Então, misturamos elementos do prédio junto com uma nova parte e acrescentamos a sala de cinema. Eu entendi todo esse complexo como um pavilhão que construí lá. Não foi uma mostra temática, eu reuni seis trabalhos que poderiam estar juntos, mas eu não busquei passar uma mensagem coerente com essa combinação.

Quem constrói os modelos que você usa? O que você faz com eles depois de fotografá-los?

Demand: Sou eu mesmo quem os faz, eles tem tamanho natural e eu os jogo todos no lixo depois que os usei.

Sua nova série “Dailies” é menos suntuosa do que seu trabalho anterior, apesar de “Bathroom”, de 1997, que se parece com ela. Por que se tornar tão introspectivo agora?
Demand:
Eu queria trabalhar com imagens que carregam sua própria razão de existência, não porque elas contam a história de um acidente que não é visível na imagem, ela mesma. Mas de fato pertencem à mesma família do trabalho que você mencionou, talvez parentes distantes, pois eu continuo buscando pegar e recriar um momento no (meu) tempo. Esse tempo não é memória pública, mas a minha própria. No entanto, no fundo eu não acredito que haja tanta diferença entre os indivíduos. Ao mesmo tempo, é obviamente apenas aquilo que você vê, no sentido que não é nem simbólico, nem surreal ou moralizante. É apenas aquele pequeno descobrimento naquele momento que se foi como qualquer outro momento mais para frente. Eu gosto muito do fato que todos os celulares têm câmeras agora e eu as uso muito, então em determinado momento eu queria utilizar todo o material que coletei ao longo dos anos. Creio que os outros trabalhos são como romances enquanto esses são poesias – talvez poemas com rimas, mas você pode pegar a imagem.


Normalmente, suas fotos, talvez porque não retratem pessoas, pareçam um pouco melancólicas, mas “Dailies” são bastante felizes e engraçadas, como aquela com o banquinho e uma flor estampada sobre ele. Esse é um momento feliz em sua vida? Ou a arte deveria ser mais feliz agora para “compensar a tristeza do mundo”, como dizia Pina Bausch?

Demand: Eu pensei que elas deveriam ser leves, felizes e um pouco bobas também. E rápidas de serem feitas, para não se pensar: quanto tempo isso levou para ser feito. Quando se faz um filme longa-metragem, todo fim do dia observa-se o que foi filmado durante o dia e isso se chama “Dailies”: como a colheita, mas não o filme ainda. Esse projeto ainda está relacionado com outros trabalhos, mas para mim, o Brasil é um lugar felizes, um começo fresco, e essa exposição cabe bem aí. Estou tendo uma grande retrospectiva em Berlim ao mesmo tempo, que se chama “National Gallery”, e você pode imaginar que a natureza dessa mostra é muito diferente da que vou realizar em Porto Alegre. Ambas ocorrem de forma paralela e eu gosto muito dessa oportunidade.

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Thomas Demand

Sob a aparente placidez das obras de Thomas Demand percebe-se uma atmosfera de inquietação latente. Ao observador desavisado, e não familiarizado com o processo criativo do artista, resta a intuição como chave única para o ingresso nos ambientes frequentemente burocráticos e assépticos fotografados por este alemão, residente em Berlim, autor de alguns dos trabalhos mais intrigantes da arte contemporânea.
Situada em espaços intermediários, a obra de Demand logra suspender momentaneamente a realidade ao criar zonas neutras que desafiam a percepção do espectador à medida em que põem em xeque a atribuída correspondência entre a imagem fotográfica e o mundo real que ela supostamente retrata.
Partindo de fotografias encontradas nos meios de comunicação de massa, não raro carregadas de matizes políticos (embaixadas, a Casa Branca, a cozinha clandestina de Sadham Hussein), ou de ambientes altamente familiares, de características universais (um céu estrelado, uma floresta), o artista se propõe a tarefa hercúlea de desenvolver maquetes em escala real, feitas de cartolina e papel, as quais reproduzem quase à perfeição as imagens originais. Superada esta etapa, ele retorna ao suporte fotográfico para registrar e perenizar esses espaços artificialmente construídos e só então levá-los a público em galerias e museus no formato bidimensional. Uma vez concluído o processo, via de regra os cenários são destruídos.
Ao longo da última década, Demand consagrou-se como singular artista contemporâneo ao valer-se de processos criativos de técnicas mistas, que vão da mencionada confecção de maquetes (algumas delas já vistas em espaços expositivos, exceção à regra) ao registro fotográfico, passando inclusive pelo cinema. Neste último caso, ele produz a animação de seus cenários (uma escada rolante, um túnel rodoviário à semelhança daquele onde morreu Lady Di, em Paris) a 24 quadros por segundo, levando ao extremo sua busca por vestígios de vida em espaços inanimados. Embora escultor de formação, o artista se revela profundo conhecedor da técnica fotográfica ao fazer sofisticado uso da iluminação que lança sobre suas maquetes, indispensável à aura de realidade que emana de suas obras.
Para além do questionamento, ora político ora semiótico, da imagem fotográfica, e do virtuosismo do artista – capaz de enganar os sentidos do espectador apressado, tamanha a verossimilhança de suas obras –, nos trabalhos de Demand repousa uma expectativa de ação fadada à inércia, uma promessa narrativa apenas possível se artificialmente/mentalmente desenvolvida. Inabitados – jamais se vê figura humana em seus trabalhos –, os espaços divisados pelo artista são literalmente naturezas mortas, cujos vestígios de vida se apresentam exclusivamente no plano metafísico.
The Dailies, a exposição inédita que a Prefeitura de Porto Alegre tem a honra de receber em primeiríssima mão, apresenta características bastante distintas do conjunto comumente conhecido da obra de Demand. Além das imagens serem apresentadas em formato menor que de costume, mesmo porque reproduzem cenas cotidianas ou rotineiras, elas permitem uma maior empatia com o público e funcionam como blagues, flashes prosaicos do dia-a-dia.
Por fim, gostaria de agradecer imensamente a generosidade com que o artista recebeu este convite, tornando possível o contato real do público porto-alegrense com sua instigante obra. Não poderia aqui deixar de mencionar o apoio fundamental do Instituto Goethe, no nome de seus diretores Alfons Hug e ??? Sauer, parceiro em tantas iniciativas desta Prefeitura, que foi sensível à importância do presente projeto e tanto nos ajudou a torná-lo viável.

Bernardo José de Souza
Coordenador de Cinema, Vídeo e Fotografia
Secretaria Municipal de Cultura
Prefeitura de Porto Alegre

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Cecil Beaton segue em exibição até 8 de novembro


Até dia 8 de novembro, sempre de terças a domingos, das 9 às 21h, a exposição Portraits, de Cecil Beaton pode ser visitada na Galeria Lunara, localizada no 5º andar da Usina do Gasômetro.

Dentre outras, voce pode ver a foto de Marianne Faithfull, reproduzida acima.


Cecil Beaton é o que podemos chamar de profissional completo pois era fotógrafo, designer, e artista plástico. Ele nasceu em Hampstead na Inglaterra em 1904 e morreu em 1980. Ficou famoso pelas belíssimas fotos com aspecto romântico e dramático, trabalhou como fotógrafo para as revistas Vanity Fair e Vogue, sempre com uma visão pessoal fazendo fotos inusitadas e com uma estética diferente para a época. Desenhava muito bem, trabalhou como designer em 1958 quando desenhou o figurino do filme "Gigi", que lhe deu o Oscar de Melhor Figurino, mas o seu trabalho mais expressivo foi sem dúvida o figurino de "My Fair Lady" em 1964 o lhe garantiu mais 2 Oscar pelo figurino e direção de arte, pois trouxe de volta o luxo e o glamour da Belle Epoque.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Portraits de Cecil Beaton na Galeria Lunara


EXPOSIÇÃO
CECIL BEATON – PORTRAITS

De 25 de setembro a 08 de novembro Galeria Lunara – 5° andar da Usina do Gasômetro.


COQUETEL DE ABERTURA DIA 25 SETEMBRO ÀS 19H NA GALERA LUNARA.

Curadoria da exposição Portraits, de Cecil Beaton: Bernardo José de Souza


O DISCRETO CHARME DA BURGUESIA

22 DE SETEMBRO A 08 DE NOVEMBRO DE 2009
GALERIA LUNARA E SALA P. F. GASTAL . USINA DO GASÔMETRO

Dada sua magnitude, a revolução burguesa que eclodiu entre 1789 e 1848 – originada na França e na Grã-Bretanha, respectivamente – transformaria em profundidade a história humana, encontrando paralelo talvez apenas na remota invenção da escrita, da cidade ou do Estado. Ao passo em que as forças sociais, políticas e econômicas concorriam para aquele desfecho, o mundo intelectual tratava de conceituar o esfacelamento do Ancien Régime através da criação de palavras que redefiniriam por completo o funcionamento das sociedades modernas: indústria, classe-média, capitalismo, socialismo, ideologia, etc.

Para Eric Hobsbawn, “os sessenta anos que separam as revoluções francesa e inglesa significaram o triunfo não da liberdade ou da igualdade em geral, mas da classe-média ou da sociedade burguesa liberal”, e os efeitos dessas mudanças se fizeram sentir fortemente sobre o século XX, quando a resposta à sociedade burguesa veio sob a forma do ameaçador espectro comunista (cem anos após o lançamento do Manifesto, em 1848) e com a revolta mundial contra o Ocidente, em revide à sua fúria expansionista. Como resultado desse processo, artistas e intelectuais produziriam ao longo do período um conjunto de obras dando conta dos reflexos daquelas revoluções sobre os padrões culturais, estéticos e comportamentais do mundo ocidental.

Interessada na representação da burguesia pelas artes visuais, a Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre lança novo projeto que busca melhor compreender alguns fenômenos culturais do cenário contemporâneo. Se nas décadas que antecedem as mencionadas revoluções havia o culto burguês aos hábitos, gostos, maneiras e personagens da aristocracia, na contemporaneidade observamos a ascensão da burguesia a um patamar que passa a ser ambicionado pelos baixos estratos sociais, não apenas pela posição de afluência daquela classe, mas pelos “objetos de desejo” que ela engendraria. Em suma, a alta burguesia substituiria a aristocracia, e a pequena burguesia, ou as chamadas classes médias, notabilizariam o século XX pelo consumismo, evidenciado no surgimento de poderosa indústria cultural e de meios de comunicação de massa responsáveis por vulgarizar a intelectualidade, borrando os contornos da alta cultura. Exemplos notórios desse novo tabuleiro são a reprodutibilidade técnica das imagens, o surgimento da fotografia e do cinema como artes de consumo popular e o crescente culto às celebridades, não raro figuras anódinas sob o prisma do meio intelectual.

O Discreto Charme da Burguesia, assim batizado em homenagem à obra-prima de mesmo nome do diretor Luis Buñuel, se propõe a discutir o assunto através de exposição fotográfica e de ciclo de filmes e palestras, os quais reúnem nomes e títulos capitais quando se trata da iconografia burguesa.

Encabeçando o projeto, uma exposição do célebre fotógrafo britânico Cecil Beaton, figura emblemática do jet-set cultural de meados do século XX e um dos mais caros representantes da quintessência do estilo inglês. Morto em 1980, ele passou a vida a viajar, convivendo com artistas e dividindo seu tempo entre a criação de cenários e figurinos para cinema e teatro, a fotografia de moda para a revista Vogue e os retratos de celebridades. As obras em exibição na Galeria Lunara foram cedidas pela tradicional casa de leilões do Reino Unido, Sotheby’s, detentora do espólio do artista e templo do sofisticado consumo da alta burguesia.

No que toca ao cinema, a Sala P. F. Gastal apresentará dezoito filmes em duas semanas de mostra, entre os quais pérolas da cinematografia européia das décadas de 1960 e 70, momento glorioso da sétima arte e período de ouro quando se trata da representação da burguesia. Entre eles não poderiam faltar obras de Luchino Viscontti, aristocrata e comunista, feroz crítico da classe burguesa; de Luis Buñuel, autor de dezenas de obras cujo olhar cáustico pousava sobre os arrivistas; de Federico Fellini e sua bela crônica do high-society italiano em A Doce Vida; de Michelangelo Antonioni e a incomunicabilidade que pautava a relação de um industrial com sua bela mulher em O Deserto Vermelho; de Rainer Werner Fassbinder registrando a hipocrisia de uma família burguesa em Roleta Chinesa, entre outros.

Coroando a programação, um dos títulos mais intrigantes do cinema direto, Grey Gardens, dos irmãos Maysles, obra admirada pelo cineasta João Moreira Salles, que após a exibição deste título e do seu documentário Santiago, sobre o mordomo da família Moreira Salles, debaterá ambos os filmes na Sala P. F. Gastal.

Bernardo José de Souza
Coordenador de Cinema, Vídeo e Fotografia
Secretaria Municipal de Cultura


edital ocupação galeria lunara 2010

galeria lunara – galeria dos arcos

edital ocupação 2010

ATENÇÃO PARA NOVO CRONOGRAMA

Inscrições: 26 de Outubro a 06 de novembro de 2009

Seleção dos Trabalhos: 11 de Novembro de 2009

Divulgação da Seleção: 13 de Novembro de 2009

Devolução dos Portfólios: 16 a 20 de Novembro de 2009

A partir de 26 de Outubro de 2009, a Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia
estará recebendo inscrições de projetos de fotógrafos interessados em expor, no ano de 2010,
na Galeria dos Arcos ou Galeria Lunara, ambas situadas no centro Cultural Usina do Gasômetro.
Para realizar a inscrição o artista deverá apresentar:

1. Ficha de Inscrição
2. Portfólio contendo currículo e fotos
3. Projeto da exposição com previsão de número de imagens e respectivas dimensões

As inscrições ocorrerão no período de 26 de Outubro a 6 de Novembro de 2009

Informações
Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia
Av. Pres. João Goulart, 551 – Usina do gasômetro – 3º andar
F. 3289 8133/8135

O edital completo está postado abaixo, e pode ser encontrado, na íntegra (em word) no site:
www.portoalegre.rs.gov.br - link cultura – link editais
ou por e-mail galerialunara@gmail.com


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Processo administrativo nº 001.036786.09.8
Concurso nº 13/09
Seleção de Projetos para Exposições Fotográficas
na Galeria dos Arcos e na Galeria Lunara / 2010.

REGULAMENTO

A Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia, da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre – PMPA, comunica aos interessados que estará recebendo, de 26 de outubro a 6 de novembro de 2009, na forma da Lei 8.666/93, no que couber, na Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da SMC, a documentação referente a este Concurso:

1. Finalidade

O presente Regulamento tem por objeto a seleção de até 02 projetos para a Galeria Lunara e de até 03 projetos para a Galeria dos Arcos - ambas localizadas na Usina do Gasômetro – para o ano de 2010, sendo que cada projeto permanecerá em exposição por, no mínimo, 30 dias.

2.Participação

O presente concurso destina-se a fotógrafos em geral (amadores e profissionais).

3.Inscrições

3.1. As inscrições serão realizadas no período de 26/10 a 06/11/2009, das 9h às 12h e das 14h às 17h, na Coordenação de Cinema Vídeo e Fotografia - Usina do Gasômetro, Avenida Presidente João Goulart, 551, 3º andar, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, CEP 90010-120.

Inscrições encaminhadas via correio deverão ser postadas para o endereço acima, até a data limite da inscrição, 06 de novembro de 2009. Não serão aceitas inscrições com data de postagem posterior.

3.2. Os candidatos deverão apresentar, no momento da inscrição:

Ficha de inscrição preenchida (em anexo);

Portfólio contendo currículo (formação e exposições), com 08 a 10 fotos, para projetos destinadas à Galeria Lunara, e de 15 a 20 fotos para projetos destinadas à Galeria dos Arcos.

Projeto da exposição, com previsão do número de imagens e respectivas dimensões, para a ocupação da Galeria Lunara ou da Galeria dos Arcos.

4.Seleção das Projetos e Premiação.

4.1. Será designada uma Comissão de Seleção formada por 03 (três) membros, não remunerados, sendo 01 representante da Secretaria Municipal da Cultura e 02 profissionais vinculados ao meio fotográfico, que ficará responsável pela escolha das projetos dos candidatos.

4.2. A Comissão de Seleção é soberana em suas decisões e obedecerá a critérios como qualidade estética e adequação entre conceito e linguagem.

4.3. Conforme a Lei 8.666/93, art. 9º, os integrantes da Comissão de Seleção não poderão participar do presente Concurso.

4.4.Da decisão da Comissão de Seleção, ao habilitar ou inabilitar os projetos apresentados, caberá recurso administrativo até 05 (cinco) dias úteis após a publicação do resultado no DOPA, protocolado na Coordenação de Cinema, Vídeo e Foto. O recurso apresentado será julgado no prazo máximo de 05 (cinco) dias úteis.

4.5. O prêmio para os projetos selecionados consistirá em exposições nas Galeria dos Arcos ou Lunara - ambas localizadas na Usina do Gasômetro – para o ano de 2010, sendo que cada projeto permanecerá em exposição por, no mínimo, 30 dias e a divulgação, nos termos do item 10.1. deste Regulamento.

5.Montagem e Desmontagem

A montagem e a desmontagem, bem como todo o material necessário para a montagem, incluindo as molduras será de responsabilidade do fotógrafo.

6.Estrutura das Galerias

Ver plantas anexas.

7.Segurança

A Secretaria Municipal da Cultura não se responsabiliza por quaisquer danos sobre as obras expostas.

8.Datas das Exposições

As datas dos períodos disponíveis, objeto deste concurso, serão definidas posteriormente pela Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da SMC, em comum acordo com os fotógrafos cujos projetos forem selecionados.

9.Devolução dos Trabalhos

9.1.Os portfólios dos fotógrafos não selecionados serão devolvidos de 16 a 20 de novembro de 2009

9.2.Os portfólios dos artistas não residentes no município de Porto Alegre somente serão devolvidos por correio ao artista que enviar envelope selado para tal finalidade.

9.3.Os portfólios de fotógrafos residentes no município de Porto Alegre deverão ser retirados junto à Coordenação de Cinema, até 20 de novembro de 2009.

9.4.A Comissão Organizadora não se responsabiliza pela guarda do material não retirado no período.

10.Obrigações

10.1.Da Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da SMC:

Impressão de 500 convites;
Envio de convites a autoridades, artistas e fotógrafos;
Divulgação institucional da exposição na imprensa.

10.2.Do Fotógrafo:

Fornecer as imagens da exposição digitalizadas, currículo e dados para divulgação, no mínimo 30 dias antes do início da exposição;

Fornecer arte-final e fotolitos do convite. A arte-final deverá ser submetida à aprovação da Coordenação de Comunicação Social/PMPA, com antecedência mínima de 45 dias da data marcada para a exposição.

Obs.: No convite deverá constar o logotipo da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, cuja arte será fornecida pela Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da SMC, como Realização.

Parágrafo único: Caso o fotógrafo descumpra as obrigações descritas no item 10, a CCVF não se responsabiliza pela divulgação da exposição e pela impressão do material gráfico.

11.Disposições Gerais:

11.1.É vedada a participação de servidores do Município de Porto Alegre, bem como de seus agentes políticos e seus parentes consangüíneos, ou afins, até o segundo grau.

11.2.Não será exigida qualquer contrapartida dos artistas ao Município, além das obrigações contidas no item 10.

11.3.Conforme disposto no art. 41 da Lei 8666/93, qualquer cidadão é parte legítima para impugnar Regulamento de licitação por irregularidade na aplicação desta Lei, devendo protocolar pedido até 5 (cinco) dias úteis da data fixada para abertura dos envelopes de habilitação, devendo a Administração julgar e responder à impugnação em até 3 (três) dias úteis, sem prejuízo da faculdade prevista no § 1° do art. 113.

11.4.As despesas decorrentes do presente Regulamento correrão pelas dotações 1003.2038 e 1003.2042.

11.5.A assinatura da Ficha de Inscrição implica na aceitação total das normas de funcionamento da Galeria dos Arcos e da Galeria Lunara da Secretaria Municipal da Cultura da Prefeitura de Porto Alegre.

11.6.Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Organizadora, observada a legislação pertinente;

12.Esclarecimentos:

Quaisquer esclarecimentos sobre o presente concurso, bem como o fornecimento dos anexos citados no presente regulamento poderão ser obtidos junto à Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal da Cultura, sita à Usina do Gasômetro, 3º andar, fone (51) 3289 8133 ou (51) 3289 8135, e-mail: salapfgastal@smc.prefpoa.com.br

acesso ao regulamento:

http://www.portoalegre.rs.gov.br/cultura
www.galerialunara.blogspot.com
www.galeriadosarcos.blogspot.com

FICHA DE INSCRIÇÃO
Concurso para Exposições Fotográficas
Galeria dos Arcos e Galeria Lunara / 2010

Nome do Fotógrafo:

Telefone:

E-mail:

Endereço:

Cidade: UF: CEP:

Título do Projeto:

Em caso de inscrição em grupo, informar nome dos outros participantes:

*Título e Dimensão de cada obra especificados em folha anexa e também no verso das obras encaminhadas.


Projeto de exposição para: ( ) Galeria dos Arcos ( ) Galeria Lunara


Porto Alegre, de de 2009.

_______________________________

Assinatura do Fotógrafo

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Confira imagens da exposição Inefável


Estas são 2 das imagens que fazem parte da instalação de Mauricio Ianês, que está sendo exibida na Galeria Lunara até dia 2 de setembro.
A instalação de Maurício apresenta oito telas-planas.
Nelas, oito cantores apresentam as oito letras da palavra inefável, título da exposição
Agradecimento especial ao Coral do DMAE:
Regência de Delmar Dickel
Preparação vocal de Rosana Lofrano
Cantores
Ingrid Lautert
Elisa Lautert
Carlos Adornes
Deonice Romero
Ana Maria dos Santos
Karina Solka
Clelia Mariza Marques
Valter Alexandre Gonçalves

Para saber mais sobre Maurício Ianês, acesse Galeria Vermelho

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Maurício Ianês na Galeria Lunara

Dando continuidade à parceria que vem desenvolvendo desde o ano de 2005 com a Galeria Vermelho, de São Paulo, a Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre inaugura no próximo dia 7 de agosto, às 19h, a exposição do artista Maurício Ianês, na Galeria Lunara (no quinto andar da Usina do Gasômetro).

A exposição tem o título de Inefável e exibirá a videoinstalação de mesmo nome realizada especialmente para a Galeria Lunara durante a passagem do artista por Porto Alegre, em julho último. Concebida com o apoio do Coral do DMAE, a obra decompõe a palavra inefável em oito letras, que se transformam em uma espécie de mantra na voz simultânea de oito cantores registrados em vídeo, cujos rostos aparecem em oito telas-planas dispostas nas paredes da Galeria. Ianês é um artista multimídia que vem recebendo ampla atenção no cenário artístico contemporâneo, especialmente através de suas performances, mais sabidamente aquela em que ficou duas semanas vivendo no prédio da Bienal de São Paulo, inicialmente nu e sem comida, cobrindo-se e alimentando-se exclusivamente daquilo que lhe era dado pelos visitantes da mostra de arte mais importante do País.

Maurício Ianês já participou de residências artísticas em cidades como Paris e Viena, além de ter exposto na conceituada Whitechapel Gallery, em Londres, em 2007, bem como em galerias na Islândia, no País de Gales, na Nova Zelândia, entre outros países.

A exposição Inefável pode ser visitada de terça a domingo (entre 9 e 21 horas), até o dia 2 de setembro. O coquetel de abertura da exposição acontecerá no dia 7 de agosto, às 19 horas.

Para contatar Maurício Ianês, entre em contato com a Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia pelo telefone 51 32898133 ou com o próprio artista pelo telefone 11 81140003.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Ultima semana para visitar exposição O Riso e a Melancolia


Até dia 26 de julho, as exposições que integram o Projeto O Riso e a Melancolia, podem ser visitadas nas Galerias Iberê Camargo e Lunara, de terças a domingos, das 9 às 21h.

A exposição O Riso e a Melancolia é uma coletiva que reúne trabalhos em vídeo e fotografia assinados por nomes como Yves Klein, Paul McCarthy, Thomas Hoepker, Terrence Koh, Martín Sastre, Guto Lacaz, Kátia Prates e Yoshua Okon, vários deles expondo pela primeira vez no Rio Grande do Sul. Segundo os curadores Bernardo de Souza e Mariana Xavier, “variantes de um amplo espectro emocional, o riso e a melancolia respondem por estados de espírito e de ânimo aparentemente opostos, porém complementares. Não obstante as diferentes acepções destes termos no curso da História, eles permanecem tão emblemáticos quanto reveladores da experiência humana. Por esta razão, decidimos montar uma coletiva que mostrasse como a arte contemporânea vem abordando o tema”.

Mais detalhes no post abaixo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Projeto O Riso e a Melancolia traz exposições para as Galerias Lunara e Iberê Camargo

De 26 de junho a 26 de julho de 2009
Galeria Lunara, Galeria Iberê Camargo e Sala P. F. Gastal

O RISO E A MELANCOLIA
Variantes de um amplo espectro emocional, o riso e a melancolia respondem por estados de espírito e de ânimo aparentemente opostos, porém complementares. Não obstante as diferentes acepções destes termos no curso da História, eles permanecem tão emblemáticos quanto reveladores da experiência humana.
Considerada uma doença na Grécia Antiga, a melancolia deixou de ser uma moléstia no período romântico, quando se difundiu a ideia de que os indivíduos por ela afetados estariam a experimentar algo de profundamente enriquecedor para a alma humana.

Desde o século XX, entretanto, mais precisamente a partir das teorizações de Sigmund Freud, a melancolia foi comparada ao estado de luto, sem que, contudo, fosse constatada nela uma perda real, senão uma perda narcisista ou emocional.

O riso, por seu turno, consiste na expressão física motivada por diferentes naturezas de humor, tais quais a sátira ou a ironia, que estão intimamente relacionadas ao contexto sóciocultural de onde emergem e que as enseja. Quer na filosofia, quer na psicologia, o riso se estabelece como reação aos estímulos de ordem intelectual, configurando-se em um fenômeno fundamentalmente humano. De acordo com o filósofo francês Henri Bergson, caso o mundo fosse habitado por seres totalmente desprovidos de emoções, e exclusivamente movidos pela racionalidade, ainda assim haveria o riso, porque resultante de um processo mental que decorre de julgamentos morais. De maneira inversa, em um mundo dominado exclusivamente pelas emoções, o riso não seria possível, e o excesso de sentimentos nos envolveria numa atmosfera puramente melancólica.

A temática dessa mostra - o riso e a melancolia - partiu de nosso desejo de discutir esses dois extremos do humor em relação a seus papéis na história da arte. Há alguns séculos, a melancolia tem interessado às artes com algum destaque, embora diversamente facetada dependendo do momento histórico ou artístico que a explorou. Já o riso, surpreendentemente, ganhou pequena atenção no contexto da crítica de arte, algo que vem mudando na contemporaneidade com o surgimento de importantes publicações sobre o tema, e com o resgate de alguns textos clássicos sobre o assunto, como os dos supracitados Bergson e Freud.

Por tudo isso, é com muito entusiasmo que trazemos a público a exposição O Riso e a Melancolia, uma empreitada inédita para ambos, e à qual dedicamos bastante tempo e trabalho. Não apenas somos curadores de primeira viagem, como também não temos a pretensão de exaurir a temática, mas decidimos ir adiante com essa tarefa por estarmos confiantes de que nossas escolhas - as quais incluem alguns artistas nunca antes apresentados no Brasil - serão um deleite para o público das Galerias Lunara e Iberê Camargo, bem como da Sala P. F. Gastal.
A quem soar exagerada tal afirmação, convidamos a comprová-la assistindo aos vídeos dos latino-americanos Yoshua Okon e Martín Sastre, bem como do importantíssimo artista norte-americano Paul McCarthy. Este último terá a Galeria Lunara dedicada exclusivamente à apresentação de seu vídeo Painter, o qual faz uso de certa linguagem televisiva para debochar do mundo artístico e das razões que podem levar o artista a permanecer criando. Esses três trabalhos mostram como o riso pode ser útil na construção de uma crítica social e política, ao tempo em que a reflexão por eles provocada está embebida numa inegável melancolia.


Teremos a grande honra de exibir a emblemática fotografia Saut Dans le Vide, do francês Yves Klein, sem dúvida uma das obras de arte mais importantes do século XX: um ato suicida, representado com visível deleite na expressão do artista, de braços abertos em seu salto para o vazio. Vazio também abordado por Kátia Prates de maneira sublime em sua apresentação de um céu de azul intenso, cuja extraordinária beleza beira o absurdo.
Apresentaremos ainda os comentários fotográficos do paulista Guto Lacaz, os quais revelam o saudosismo inerente à atual passagem da tecnologia analógica para a digital, porém de maneira bem-humorada.

Impossibilitados de trazer a Porto Alegre uma obra do norte-americano Jeff Koons – nome definitivo para a discussão do humor na arte contemporânea –, decidimos exibir um documentário sobre sua trajetória artística. Seus trabalhos visualmente deslumbrantes remetem à melancolia da infância perdida e ao fascínio pelo estrelato não desprovido de ironia. Esse filme será exibido ao lado de uma performance de Terence Koh, cujas relações com o mercado de arte não deixam também de ser bem humoradas, quer seja pelas cifras astronômicas alcançadas por suas desconfortáveis obras, quer pela apresentação desavergonhada do sexo e de sua intensa vida privada.

Outro destaque dentro da mostra é o norte-americano William Wegman, que embora seja um nome capital quando se trata do humor na arte contemporânea, permanece pouco conhecido no país; seus vídeos de cães Weimaraners antropomorfizados retêm a tristeza do olhar canino, causando no espectador um sorriso melancólico.
Ausente dessa mostra, o humor da arte britânica nos anos 1990 deu a tônica ao debate acerca da produção artística contemporânea, a exemplo do que já havia sido feito pelo Dadaísmo no início do século XX. A ironia, quintessência da cultura inglesa, marcou aquela década que antecede o ataque terrorista às Torres Gêmeas, aqui representado em tons saturados pelo célebre fotógrafo da agência Magnum, Thomas Hoepker, que revestiu a tragédia de 11 de setembro de 2001 com matizes daquela fina ironia.

Se ao final do século XX o humor pareceu ser a chave para um mundo carente das perspectivas históricas modernistas, o início do século XXI, após o inevitável confronto com a orquestrada tragédia de dimensões épicas em Nova Iorque, recuperou ambos os registros como complementares e essenciais à percepção dos fenômenos contemporâneos.

Bernardo José de Souza e Mariana Xavier
Curadores

Bernardo José de Souza é Coordenador de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre e professor da ESPM e FEEVALE. Especialista em fotografia e moda pelo London College of Fashion , foi colaborador das revistas Vogue, i-D e do jornal Folha de São Paulo.

Mariana Xavier é artista visual, formada em jornalismo pela UFRGS, é mestranda em Poéticas Visuais no curso de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRGS.

Coquetel de abertura da exposição dia 26 de junho,
às 19h 30min, na Galeria Iberê Camargo.


OS ARTISTAS

YVES KLEIN
Nascido em 1928, na
França, Klein viveu pouco mais de 34 anos, ao longo dos quais logrou desenvolver uma obra que hoje o situa entre os mais importantes artistas do século XX. Considerado por alguns como um Dadaísta tardio, ele é comumente visto como um enigmático precursor da arte contemporânea. Criou, em 1960, ao lado do crítico Pierre Restany e do amigo Arman Fernandez, o movimento Novo Realismo, quatro anos antes de sua morte, após o terceiro infarto consecutivo.
A noção de vazio é central para a compreensão da obra de Klein, que se utilizou dos mais divers
os suportes - escultura, pintura, música, performance e fotografia - para comunicar-se com o público, o qual deveria ser capaz de simultaneamente sentir e entender suas criações.
A imagem em exposição na Galeria Iberê Camargo - Saut Dans le Vide - foi primeiramente publicada no jornal Dimanche, em 27 de novembro de 1960 - na realidade uma espécie de livro de artista.
PAUL McCARTHY
Paul McCarthy
nasceu em Salt Lake City, Utah, em 1945. O reconhecimento de seu trabalho veio de suas intensas performances e seus vídeos baseados em tabus, tais como o corpo, a sexualidade e os rituais de iniciação. A carreira de McCarthy também explora temas como família, infância e violência, ao mesmo tempo em que utiliza fluidos corporais, tinta, catchup e maionese para gerar críticas intrincadas e grotescas de ícones culturais. Seus trabalhos já foram exibidos por grandes instituições como o Whitney Museum, a Tate Modern e o MoMA NY.
O vídeo exibido nessa mostra, Painter, é uma ácida paródia do final da carreira do pintor Willem de Kooning, bem como do sistema das artes em geral. O pintor, vivido pelo próprio Paul McCarthy, debate-se em seu atelier com pincéis e tubos gigantes de tinta e cocô. O vídeo completa-se com aparições de uma galerista e colecionadores alemães, retratados com a cruel e gosmenta graça característica dos trabalhos do artista.

THOMAS HOEPKER
Estudou história da arte e arqueologia antes de se tornar fotojornalista, na década de 1960, cobrindo reportagens em todas as partes do mundo. Em 1964, a lendária ag
ência de imagens Magnum, (da qual seria presidente entre 2003 e 2006) passou a distribuir seu trabalho. Foi câmera e produtor de documentários para a televisão alemã até mudar-se para Nova Iorque, em 1974, quando tornou-se correspondente da revista Stern, para a qual trabalharia mais tarde também como diretor de arte. Especializado em reportagem e conhecido por suas imagens coloridas e estilizadas, ele hoje vive em NY, onde dirige documentários para a TV e onde fotografou a emblemática imagem das Torres Gêmeas, vistas do Brooklyn, em 11 de setembro de 2001. Recebeu diversos prêmios prestigiosos como o Kulturpreis e exibiu em 2007 cerca de 230 fotografias suas, feitas em 50 anos de trabalho, numa grande exposição que itinerou pela Europa.

WILLIAM WEGMAN
Pela primeira vez no Brasil, serão exibidos os vídeos de William Wegman, artista norte-americano que começou sua carreira em meados dos anos 60 e é mais con
hecido como “o artista dos cachorros Weimaraners”. Muito mais do que isso, Wegman é um nome essencial ao pensar-se em riso e melancolia na arte contemporânea, e a seleção aqui apresentada cobre mais de três décadas do trabalho do artista, que também trabalha com fotografias, pintura e desenho.
William Wegman teve uma retrospectiva de sua carreira em 2006 no Brooklin Museum of
Art e teve seus trabalhos exibidos no Whitney Museum e no MoMA, também em Nova Iorque, bem como no Stedelijk Museum de Amsterdã e no Centre Pompidou, em Paris. Sua carreira iniciou-se com a exibição de seus trabalhos na 5ª Documenta de Kassel, em 1972, e na mostra Quando as atitudes tomam forma na Suíça em 1969.

MARTÍN SASTRE
Martín Sastre é um dos mais importantes artistas visuais latino-amer
icanos. Seus divertidos vídeos combinam o universo da cultura pop, delírios futuristas e ficcionais, deboche ao mundo das artes e à política. Nascido em Montevideo em 1976, Martín exibiu seus vídeos em exposições individuais e também em Bienais como a Bienal de Busan, na Coreia do Sul (2008), Ushuaia, na Argentina (2007), Bienal da Imagem de Genebra (2006), Veneza (2005), São Paulo (2004), Havana (2003), Praga (2002) e Mercosul (2001).
Em seus trabalhos, a América Latina vira uma superpotência mundial em um futuro nem tão distante; Lady Di está viva em uma favela de Montevideo; Nadia Comaneci inspira um jovem zumbi romeno chamado Pepsi; Michael Jackson toma chá com a avó de Martín; uma Hello Kitty freira encontra Madonna em Londres. No vídeo exibido aqui, KIM X LIZ, o presidente da Coreia do Norte Kim Jong II vive uma história de amor com Elisabeth Taylor.

YOSHUA OKON
Desde o final dos anos 90, o
artista mexicano Yoshua Okon vem trabalhando com performances e vídeos, embora também explore outras formas de expressão artística. Seus trabalhos se situam no limite entre o documentário e a ficção, e procuram, de maneira bem-humorada, trazer à tona questões culturais, sociais ou políticas desconfortáveis. Seus trabalhos já foram exibidos na The Hayward, em Londres, no PS1 MoMA, de Nova Iorque, no Getty Center e estão na Coleção Jumex, do México.
O vídeo Presenta, exibido na galeria Iberê Camargo, é um
loop eterno de logotipos de empresas estatais mexicanas, ao estilo dos créditos iniciais dos longa-metragens latino-americanos – dependentes do financiamento público para sua realização. Ao mesmo tempo em que esperamos o filme que nunca começa, refletimos sobre todo o sistema de realização cinematográfica que tão bem conhecemos no âmbito da produção audiovisual brasileira.

GUTO LACAZ
Guto Lacaz já era artista multimídia an
tes mesmo dessa denominação entrar em uso: é performer, inventor, desenhista, ilustrador, designer, cenógrafo, editor de arte etc. Sua produção transita entre o design gráfico, a criação com objetos do cotidiano e a exploração das possibilidades tecnológicas na arte, sempre tratada com humor e ironia. O artista mostra-se extremamente coerente com a variedade de lugares e situações onde apresenta seus trabalhos: de galerias e museus a teatros, espaços públicos e a televisão.
Os dois trabalhos aqui exibidos são chamados por Guto de comentários fotográficos, olhares sobre a fotografia e a profunda transformação
pela qual essa técnica passou nos últimos anos. O raio-x de uma paciente improvável e um aparato analógico que sustenta o digital tem, evidentemente, um caráter saudosista. O humor imbuído nesses trabalhos, entretanto, os traz de volta imediatamente à contemporaneidade.
KATIA PRATES
Realizou suas últimas in
dividuais em 2006 com “Árvores, Paisagens, Horizontes” na Galeria dos Arcos/Usina do Gasômetro em Porto Alegre e em 2003, com fotografias da série “Paisagens”, no Centro Cultural São Paulo; anteriormente expôs no Museu de Arte RGS, Museu de Arte Contemporânea/RS e Funarte/RJ. Katia Prates é doutoranda em Poéticas Visuais pelo Instituto de Artes/UFRGS e tem especialização em arte e tecnologia na School of the Art Institute of Chicago.
Nesta mostra, a artista apresenta sua particularíssima visão do vazio, fotografando de maneira sublime um céu de azul intenso, cuja extraordinária beleza beira o absurdo.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Ganhadora da obra de Kátia Costa

Durante a abertura da exposição [MOVE_VERSÃO_2.0_PED] dia 21 de maio de 2009, Katia Costa sorteou um trabalho de sua autoria.


A ganhadora foi Sandra Seewald, de Novo Hamburgo.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Katia Costa inaugura exposição dia 21 de Maio



A partir da próxima quinta-feira, dia 21 de maio, às 19h, a Galeria Lunara inaugura exposição de Katia Costa, intitulada [MOVE_VERSÃO_2.0_PED], que reúne montagens de imagens em P & B, formando quebra-cabeças onde o movimento e o gesto de montar, organizar e repensar as peças, formou mosaicos com novas imagens com características próprias e informações variadas.
As imagens foram obtidas através da captura de imagens de deslocamentos, com o objetivo de formar “linhas de composições geométricas”, narrativas que ilustram trajetórias fictícias, linhas e formas montadas, para formar um novo espaço.

Katia Costa é fotógrafa e artista plástica. Bacharel em Artes Plásticas, com ênfase em Fotografia, pela UFRGS, atualmente cursa Licenciatura em Artes Plásticas, na mesma instituição. Trabalha com a fotografia, instalação, escultura e gravura. Fundou o Atelier de Arte Plano B, onde desenvolve seus trabalhos. Já realizou diversas exposições individuais e coletivas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Minas Gerais e Itália, tendo sido premiada em diversos Salões, dentre eles: Prêmio Aquisição 18º Salão de Artes Plásticas Câmara Municipal de Porto Alegre, Prêmio aquisição no 7º Salão Nacional de Arte de Jataí, Go , indicada ao Prêmio Açorianos de Arte Visuais 2007, Prêmio Exposição no VII Concurso de Artes Plásticas Contemporâneas 2006, Goethe-Institut Porto Alegre, Vencedora Regional do 18º Salão Jovem Artista, dentre outros.

LINHAS DE PERCURSO

O foco deste texto é trazer reflexões sobre a série de fotografias da artista Kátia Costa, intitulada [MOVE_VERSÃO_2.0_PED], criada pela repetição de imagens que se articulam para compor conjuntos de trabalhos da exposição. Com a intenção de elucidar questões relativas à práxis, é pertinente analisar o processo criativo por meio do qual a obra se faz e, inclusive, o conceito de repetição como o seu instaurador.
O gesto formalizador dos grupos de imagens é dirigido para provocar uma reação no imaginário de quem olha, já que as estruturas labirínticas instigam a pensar os seus significados. Cada conjunto fotográfico contém em si repetições de imagens, em que a ordem formal é escolhida dependendo do peso de suas semelhanças e diferenças.
O que Kátia pretende é organizar desenhos geométricos construídos por linhas horizontais e verticais. Essas linhas de percurso não indicam um caminho único para fruir a obra, pois o percurso linear permite deslocamentos em todos os sentidos: de cima para baixo, da esquerda para a direita em uma tentativa de reconhecer o significado das associações entre as imagens. Esse primeiro contato com as fotografias suscita um desejo de buscar novas correspondências diante do que vemos, ou seja, um novo recorte que objetiva o todo. Entre as linhas de fotos justapostas, surgem pequenos intervalos, espaços vazios, que condicionam a uma parada estratégica, visto que o olhar fica suspenso para depois partir em nova investida de fruição. As linhas surgem do arranjo dos elementos e tecem um fino jogo, em que os sentidos captam e subvertem as imagens em infinitas possibilidades para o olhar.
O processo artístico revela-se, ao mesmo tempo, criação e descoberta. Na obra em desenvolvimento, surge o acaso e muitas vias para a sua execução, todas parecendo instigantes e sedutoras. O trabalho começa a se construir fisicamente depois que a captura das imagens é feita e processada. Essas fotografias são narrativas de trajetórias fictícias originadas do movimento de alguém caminhando em determinado lugar. O quebra-cabeça sugerido por Kátia está revestido de senso lúdico, no sentido de jogo formal, e, também, de prazer pelo jogo, apontado quando ela monta e remonta, distribuindo as peças para gerar um novo espaço. A cada nova série, as imagens incorporam características próprias e portam novas informações.
A estrutura da obra, geometrizada e ordenada, transforma-se em uma unidade na qual a diversidade e a semelhança criam tensões em seu interior. A natureza híbrida de sua compleição faz emergir repetições significativas, isto é, cada linha elaborada nunca mais será a mesma, uma vez que ela não retorna ao mesmo lugar. Kátia procura a variação por meio da repetição em que o sentido do “eterno retorno” aparece como uma reiteração, pois o que sucede é sempre diferente do que já foi visto. As imagens que fundamentarão a obra são as responsáveis pelo desencadeamento de novas obras, produzindo uma série a partir de diferenças, aproximando-as do conceito de repetição que interessa à arte. Deleuze nos diz que “toda repetição é transgressão” (1988, p.24), já que ela é paradoxal à individualidade do objeto único.
Kátia Costa propõe uma viagem por intermédio de um jogo de imagens e nos mostra a versatilidade do trabalho tramado por meio da linguagem fotográfica. A imagem estática nos é dada em movimentos, percursos e metáforas, indicando uma obra sempre inacabada, em constante devir, porque, a qualquer momento, ela pode ser retomada, metamorfoseada e, por essa razão, adquirir novos significados.

Ana Zavadil – Curadora de Arte

Referências
Deleuze, Gilles. Diferença e repetição. Rio de Janeiro: Graal, 1988.